Quando a família Visconde vendeu o laboratório Biosintética para a concorrente Aché em 2005, numa transação de R$ 600 milhões, um negócio ficou de fora, os soros hospitalares produzidos pela divisão Glicolabor. A Aché não ficou com a fábrica, que não fazia parte de seu escopo de mercado e apresentava vendas anuais de R$ 8 milhões, valor ínfimo dentro do faturamento de R$ 380 milhões da empresa recém-adquirida.
Com a bolada recebida, os irmãos Omilton, Henry e Marcel pretendiam levar a vida, se dedicar às suas concessionárias de carros importados e pilotar possantes Porsches na GT3 Cup, um hobby familiar. Em princípio, não havia interesse em manter o negócio de soros.
Mas o feeling de Omilton, o mais velho dos irmãos, falou mais alto. Ele levou a família a reestruturar o negócio, rebatizado de Segmenta. Em 2009, faturou R$ 144 milhões. Esse volume levou a companhia a entrar no time das líderes do mercado de soros, que movimenta R$ 950 milhões por ano e é disputado palmo a palmo com três multinacionais, Baxter, B.Braun e Fresenius. Agora os Visconde estão colocando em prática uma estratégia para levar a Segmenta a se posicionar como uma das principais fornecedoras de insumos hospitalares básicos do país, montando um portfólio que abrangerá produtos de limpeza, descartáveis e medicamentos. A estratégia, como relata Omilton Visconde Jr., está dividida em duas etapas. Uma antes e outra depois da abertura do capital da empresa em bolsa, projetada para 2013.
Entre 2010 e 2011 a empresa executa um orçamento de investimentos superior a R$ 30 milhões. A fábrica de soros, que funciona em Ribeirão Preto, no interior paulista, e foi inaugurada em 2007 com recursos de R$ 80 milhões, está sendo ampliada. Uma nova linha de produção, que exigiu a aplicação de R$ 12 milhões, entra em operação em setembro e elevará a capacidade das atuais 8,2 milhões de unidades mensais para 10,5 milhões. “Teremos potencial para atender 30% da demanda nacional”, diz Visconde Jr. O empresário também pretende ampliar o valor agregado do soro e, para isso, programa lançar em 2011 bolsas de soros com drogas aditivadas, com cinco diferentes medicamentos. Outra iniciativa é uma parceria com a operadora logística GV, que se responsabilizará por montar centros de distribuição e entregar o soro nos hospitais de acordo com a demanda, reduzindo, para estes, a necessidade de armazenagem.
Novos negócios
Outro investimento em curso, de R$ 10 milhões, é em uma fábrica de antissépticos e saneantes (produtos para limpeza pesada), que entra em operação em junho, também em Ribeirão Preto. A Segmenta já atua no mercado de limpeza hospitalar, com vendas de R$ 10 milhões em 2009. Mas a meta agora é chegar a R$ 30 milhões. Além de aumentar a capacidade de produção de 200 mil unidades para 500 mil unidades mensais, a empresa busca parceiros no exterior para agregar tecnologia. Os Visconde também planejam dois novos negócios até 2011. Um é a entrada no mercado de equipos, como são chamadas as mangueirinhas que levam o soro até o paciente, e o outro negócio é o de descartáveis médicos, como luvas e seringas. Nestes dois casos, a empresa atuará por meio de parcerias comprodutores já estabelecidos. “Mas não descartamos a hipótese de uma aquisição”, diz Omilton Visconde.
Mudança de rota
- Em 2006, os Visconde inovaram investindo R$ 80 milhões em uma fábrica para produzir soros no sistema fechado, que garante uma maior segurança ao produto. Eles se anteciparam a uma decisão da Anvisa, que determinou a obrigatoriedade do sistema em todo país a partir de 2009.
- A Segmenta é a única empresa no mercado a comercializar soros em duas opções de embalagens, bolsas e frascos.
- É a única empresa a oferecer bolsas e frascos produzidos em polietileno, um produto que não interage com os medicamentos aditivados e ainda permite uma esterilização em altas temperaturas. O tradicional são os produtos em PVC.
Omilton Visconde Jr., presidente da Segmenta: investimentos de R$ 30 milhões em expansão nos próximos dois anos
Abertura de capital permitirá entrada nos mercados de diálise e medicamentos
03/05/2010 – No planejamento de atuação dos irmãos Visconde, a Segmenta deverá alcançar em 2013 um faturamento próximo de R$ 350 milhões e a empresa deverá estar pronta para estrear na Bolsa de Valores.
A reportagem completa foi publicada na edição impressa do jornal Brasil Econômico e está disponível para assinantes no site WWW.brasileconomico.com.br
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