Com o aumento do ritmo de fusões e aquisições nos últimos anos, ganha impulso uma nova geração de empreendedores seriais no país – uma turma que cria empresas, vende e começa tudo outra vez
Jornalista: Ana Clara Costa
11/08/2010 - Assim que terminou a faculdade de administração, aos 21 anos de idade, o paulistano Omilton Visconde Junior sabia exatamente qual seria seu primeiro desafio profissinal: trabalhar num pequeno laboratório recém-comprado por seu pai. Pouco tempo depois, seus dois irmãos mais novos, Henry e Marcel, seguiram o mesmo caminho. Com a morte repentina do chefe da família, nos anos 90, os três tiveram que assumir definitivamente o comando da operação – e conseguiram transformar a Biosintética no maior fabricante de genéricos do país.
Cobiçada por concorrentes nacionais e estrangeiras, a companhia, que durante mais de duas décadas foi o centro das atenções dos irmãos Visconde, acabou vendida por 600 milhões de reais ao grupo Aché em 2005. Subitamente, os três irmãos, viram-se com uma bolada no bolso. Sem nenhuma vocação para aposentadoria precoce, eles logo perceberam que seria preciso recomeçar. Poucos meses depois, Omilton avaliou a possibilidade de reativar uma pequena divisão da Biosintética rejeitada na venda – a Glicolabor, produtora de soros hospitalares localizada em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, que na época estava praticamente inoperante.
Em 2007, os primeiros frascos de soro saíram da fábrica de sua nova empresa, já rebatizada de Segmenta. Hoje líder nesse mercado, com 25% de participação, a companhia registrou um faturamento de 144 milhões de reais em 2009. "Fiquei nove meses sem colocar a mão na massa. Não aguentava mais ficar parado", diz Omilton, presidente da Segmenta. Embora também sejam acionistas, seus irmãos não participam da gestão.
Com a criação da empresa, Omilton entrou para o time crescente de empreendedores seriais brasileiros. Essa turma vende empresas para, logo em seguida, montar outra empreitada em sua antiga área de atuação -- muitas vezes com fôlego para atrapalhar as mesmas concorrentes do passado... Outros trunfos do empresário são o conhecimento do mecanismo do setor e a conexão com profissionais tarimbados. Para criar a Segmenta, Omilton buscou no mercado alguns executivos de sua antiga companhia. Hoje, dos quatro dos diretores da nova empresa, três são ex-Biosintética. "Fui atrás das pessoas em quem confiava", diz.
(A íntegra dessa matéria foi publicada na revista Exame de 11/08/2010)
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